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Jardins Recicláveis

Jardins Recicláveis

No município de São Pedro da Aldeia, o Condomínio Ponta Grossa pode ser exemplo do que cada ser humano deveria fazer para contribuir com o meio ambiente. O morador desse condomínio, José Roberto Farias Carneiro, depois de várias observações, ficou curioso com o destino que era dado às sobras de fo-lhas, gramas e galhos retirados dos jardins. Decidiu caminhar pela vizinhança e constatou que esse lixo orgânico era queimado ou levado pelo caminhão de lixo. Surpreso, começou uma pesquisa em livros de botânica e entrou em contato com vários profissionais da área, a fim de se interar do assunto.

Ele conta que partiu do princípio da Lei de Lavoisier que aprendeu no ensino fundamental da escola e lembrou bem que o professor falava sobre a lei do cientista francês, que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Foi então que teve a certeza que muita coisa estava errada ali. Aquela situação de queima do material orgânico toda semana começou a incomodá-lo profundamente. O lixo acumulado, que esperava até a coleta do caminhão, também era um problema com a proliferação de baratas e ratos. Mas na época, ele era apenas um morador no condomínio e não pode fazer muita coisa em relação a toda aquela degradação. Foi então que se candidatou a síndico e tentou mudar a realidade do desperdício.

“O diferencial desse
projeto é o desafio de ser feito em área urbana, ocupando um espaço mínimo e com pouca mão de obra”

Foi em janeiro de 2005, que Carneiro assumiu de vez como síndico no Condomínio Ponta Grossa e começou finalmente a colocar em prática, suas ideias ecológicas. Carneiro conta a nossa equipe, em síntese, como se dá o processo de reciclagem e diz que tudo é muito simples.

- Primeiro recolhemos toda a sobra vegetal da limpeza dos jardins e armazenamos em uma caçamba. São folhas, galhos, restos de grama e tudo que é recolhido desses jardins, até casca de coco. Depois esse material é triturado em uma máquina própria e deixado em uma baia para se decompor. É então peneirado e colocado em galões para servir de alimento para as minhocas. Há também um tempo necessário para que elas se alimentem dessa substância e produzam o húmus, algo em torno de trinta dias. Mais um processo de peneiração é feito, mas agora para separar as minhocas do húmus que elas produziram. Elas voltam para os galões e o húmus é ensacado, pronto para ser usado. No início existe um custo de construção com as baias, com a compra do triturador, dos galões e de uma colônia de mi-nhocas, mas depois, o projeto começa a se pagar – explica.

O que é húmus de minhoca?

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O húmus nada mais é do que fezes da minhoca. O processo de compostagem com o resíduo verde vira comida de minhoca. Elas se alimentam e geram o excremento, que aduba a terra e torna as plantas mais bonitas e saudáveis. O ambiente é favorável para que os bi-chinhos também se reproduzam.

No início, os empregados acharam tudo muito estranho. Carneiro acompanhou de perto dando explicações técnicas necessárias e também colocando a mão na massa. Começou a programar cursos de jardinagem, reciclagem e explicar o valor daquela atitude.
Mas não foram só os empregados que acharam a ideia um pouco estranha. Os condôminos não viam nesse trabalho, algo significativo.

- A primeira pergunta foi: Isso não vai ter cheiro forte e desagradável? Respondi que não. Aquilo era resíduo verde e não carne podre! – ele fala rindo. E de fato, nossa equipe comprovou que não há cheiro de substância morta, mas ao contrário, a substância tem um agradável cheiro de terra, como aquele que sentimos quando chove.

Após quatro anos de trabalho, a satisfação é total. Atualmente além de aprovar a iniciativa do síndico, todos adubam as plantas dos seus jardins com o húmus produzido e dizem que funciona 100%.

- As plantas estão mais fortes, bonitas e algumas florescem praticamente o ano todo. Só comprovei esse benefício quando comecei a usar. E, além disso, essa iniciativa retro alimenta o próprio condomínio – diz Felipe, morador do Ponta Grossa.

Além dessa, outras ideias de reciclagem começam a ganhar corpo como separar corretamente o lixo orgânico caseiro, latinhas de alumínio e óleo de cozinha. Outra preocupação de José Roberto é a segurança. Durante toda a atividade, ele mesmo se certifica se os empregados estão usando os equipamentos de segurança.

Esse trabalho feito em São Pedro da Aldeia, para extrair o húmus de mi-nhoca, não é novidade. Mas geralmente é feito em locais rurais. O diferencial desse projeto é exatamente o desafio de ser feito em área urbana, ocupando um espaço mínimo e com pouca mão de obra. O projeto “Jardins Recicláveis” foi uma ideia que deu certo e que começa a ganhar visibilidade. Carneiro já foi convidado por um condomínio em Macaé para implantar a ideia. Ele deixa claro que, quem quiser aprender a técnica e visitar o local pra verificar o funcionamento do minhocário, poderá procurá-lo no condomínio, ele terá um imenso prazer de passar a ideia adiante.

Texto e fotos de Rosângela Nicolao

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Klayton Georgio

Klayton Georgio

Sou formado em Comunicação Social, com habilitação para Jornalismo. Também sou webdesigner, designer gráfico e editor de vídeo.

2 Comentários

  1. Pablo Pestana
    12 de junho de 2012 para 11:23 am — Responder

    Muito interessante !

    Gostaria de obter maior informação para poder implementar projeto similar.

    pablopraia@gmail.com

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